Blocos femininos fazem das mulheres protagonistas no carnaval

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É quase um consenso: o carnaval é muito legal, mas para as mulheres que curtem a folia nem sempre. Relatos de assédio, abuso, agressões físicas e verbais não são raros entre as frequentadoras de blocos.
Alguns blocos em São Paulo, no entanto, são símbolos de resistência feminina. No bloco Afro Ilú Obá de Min, que foi criado em 2004 junto com uma instituição de mesmo nome, o foco é a mulher negra e suas questões.

“O Bloco e a instituição Ilú Obá De Min nasceram juntas em 2004 com a necessidade de empoderar as mulheres através do tambor e para, além disso, criar espaços de discussões internas e externas sobre cultura negra, sobre protagonismo negro e principalmente se atentar para vozes de mulheres negras tão silenciadas há séculos em nosso país”, explica Beth Beli diretora geral e regente do bloco.

O Ilú Obá De Min desfila nesta sexta-feira (9) à noite na Praça da República e no domingo (11) na Rua Barão de Piracicaba, no Centro.
No bloco Pagu, que fez sua estreia no carnaval em 2017, a ideia é falar de causas femininas e feministas cantando grandes mulheres da música nacional.

“O carnaval é um momento que, apesar de divertido, pode ser complicado para mulheres por causa de assédio. Então pensamos em abordar outras questões junto com isso, como igualdade de gênero e respeito”, explica Thereza Menezes, uma das fundadoras do bloco.
O Siga Bem Caminhoneira é um bloco voltado para o público lésbico: “Eu já tinha uma festa para as lésbicas e sempre tive vontade de fazer um bloco. Contatamos uma rede de amigas para fazer porque sempre achei que no carnaval não tinha visibilidade lésbica”, conta Letícia Peres, fundadora do bloco.

Mesmo mote do Desculpa Qualquer Coisa, primeiro bloco lésbico e bissexual de São Paulo: “Principalmente no carnaval, nós, mulheres, ficamos mais expostas ao assédio e violência. A gente quer se divertir, cantar, dançar, beijar na boca, mas queremos viver esse espaço da rua, da brincadeira, da paquera, também em segurança. A gente acredita que nunca é demais lembrar disso”, diz Renata Corr, produtora do bloco.

Lugar de mulher
Ilú, Pagu e Siga Bem têm baterias compostas inteiramente por mulheres, que são treinadas ao longo do ano. No Ilú são 300 mulheres tocando, no Pagu mais de 100 e no Siga Bem já são 140.

O Ilú causa impacto quando desfila: “Percebemos que as pessoas que assistem ao bloco pela primeira vez sempre mostram uma surpresa e depois admiração. Principalmente os homens por presenciarem um bloco de carnaval dirigido e majoritariamente composto por mulheres”, diz Beth.

Mas além de tocar, estas mulheres querem mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no carnaval, comandando blocos.

“A importância da mulher ser protagonista vem do fato da mulher nunca ter sido protagonista. O homem também era protagonista no carnaval, a mulher era musa, sempre vista pelo olhar do homem”, analisa Thereza, do Pagu.
E os homens?

Majoritariamente femininos, eles não excluem os homens de participarem dos blocos. Em todos os desfiles, aqueles que quiserem chegar e curtir— com respeito — são aceitos: “O bloco é voltado para o público FemiLésBi, mas todas as pessoas, independente de gênero e orientação sexual, que quiserem fazer parte da nossa bagunça, respeitando acima de tudo o espaço da mulher, é super bem-vinda”, diz Renata do Desculpa Qualquer Coisa.

No desfile do Pagu, diversos homens se juntaram à festa, vários vestidos de mulher: “Virou uma coisa de homenagear. Não é um bloco excludente. Ele conta com a presença de homens na organização. Dentro da igualdade de gênero a gente fala dos homens e mulheres caminharem juntos, então os homens têm que ser impactados por esse discurso também”, diz Mariana Bastos, uma das fundadoras.

O desfile do Siga Bem Caminhoneira em 2017 também aconteceu sem relatos de assédio e falta de respeito com as “minas”: “O que eu senti é que as pessoas acharam bonito e conseguiram respeitar. Não tivemos nenhum problema, ninguém veio falar de assédio. Quem estava de fora assistindo, respeitou e acabou achando bonito por ver as mulheres empoderadas”.

SERVIÇO:
Sexta-feira (9)
Bloco Afro Ilú Obá de Min

Local: Praça da República – Centro

Horário: das 19h às 22h

Domingo (11)
Bloco Afro Ilú Obá de Min

Local: Rua Barão de Piracicaba – Centro

Horário: das 14h às 19h

Terça (13)
Bloco Pagu

Local: Pateo do Colégio- Centro

Horário: das 15h às 20h

Domingo (18)
Bloco Siga Bem Caminhoneira

Local: Rua Treze de maio, 886- Centro

Horário: das 14h às 18h30

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Fonte: G1

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